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Fazendinha do Valizi - Memórias de José Valizi

 

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Confusão na rádio

por José Valizi (publicado em 16/12/2016)

 

Certa vez o José Nelson de Carvalho, que era diretor da Rádio Cultura de Ituverava, precisou viajar até a cidade de Marília-SP e nos disse: “Vou ficar uns dias fora e vocês vão tocando o barco aqui na rádio”. E assim ele saiu em viagem na sua perua Kombi.

 

Confusão na rádio

Ilustração: www.pixabay.com e Auro Valizi

 

Dias depois ele retornou trazendo consigo, de carona, um amigo que iria para Uberaba-MG. Chegaram de madrugada e o amigo do José Nelson disse: “Daqui a pouco vai clarear o dia e irei pegar o ônibus para Uberaba. Então, não compensa nem ir para um hotel”. O José Nelson lhe respondeu: “Olha, eu vou dormir no meu quartinho nos fundos da rádio, mas lá não tem espaço para você. Então, se você não se importar, pode dormir lá no andar de cima da rádio, na sala da discoteca; é espaçosa e você pode usar este coxinilho, que está no banco da perua Kombi, para forrar o piso de taco”. E assim foi feito.


Naquela época a rádio funcionava num sobrado situado na rua Cel. José Nunes da Silva, no centro da cidade. Momentos depois, eu e a Bernadete, que era a operadora de som, chegamos para iniciar o meu programa de rádio, o Fazendinha do Valizi. O dia ainda não havia raiado, estava escuro, e não sabíamos que o José Nelson havia voltado de viagem porque ele tinha guardado a perua Kombi na garagem, que ficava num corredor ao lado do sobrado, e não dava para a gente ver a perua.


Naquele dia chegamos quase em cima da hora do início do programa; subimos rapidamente a escadaria que dava acesso ao andar de cima e eu disse: “Bernadete, estamos atrasados; corre lá e vai ligando a mesa de som e a aparelhagem, para ir esquentando, enquanto eu vou correndo lá na discoteca pegar os discos pra gente tocar na vitrola”.


O interruptor que ligava a lâmpada da discoteca não ficava próximo à porta de entrada, e sim na parede lá de dentro. Era um fio que descia dependurado rente à parede, e o interruptor era uma pera (tipo de interruptor de corrente elétrica, usado antigamente). Tinha-se que atravessar a sala no escuro para poder alcançar a pera e acender a luz.


Como eu não sabia que o amigo do José Nelson estava dormindo lá, e nem o vi deitado no piso porque estava escuro, ao entrar depressa tropecei no sujeito e cai em cima da barriga dele. Ele deu um grito, e eu dei outro. Levantei-me e saí gritando pelo corredor: “Corre, Bernadete! É ladrão, é ladrão!”. E a Bernadete, que estava mais próxima da saída, desceu correndo pela escadaria, assustada, e também gritando “Ladrão, ladrão!”.


Eu, que tinha ficado para trás da Bernadete, ia descendo a escadaria e gritando “É ladrão! Corre, Bernadete! Ele deve de estar armado!”. E o sujeito vindo atrás de mim e dizendo “Não sou ladrão, não. Não sou ladrão, não”.


Quando eu acabei de descer e cheguei à rua, o dia já havia clareado e havia muita gente parada em frente à rádio; pessoas que estavam passando, a caminho do trabalho, e que pararam para ver o que estava acontecendo. E o sujeito saiu pela porta do alpendre da rádio, descalço, sem camisa, só de calção e falando: “Não sou ladrão, não. Sou amigo do José Nelson. Ele está dormindo lá no quartinho dos fundos. Pode perguntar a ele”. E instantes depois a polícia chegou; provavelmente alguém deve tê-la acionado.


Com toda aquela gritaria, o José Nelson acordou e veio ver o que estava acontecendo. Depois do sujeito se explicar à polícia e esclarecer o mal-entendido, o José Nelson teve uma crise de riso que não parava mais. E assim, por causa daquela confusão toda, naquele dia o programa Fazendinha do Valizi começou atrasado.

 

Assista a essa história, contada em vídeo

 

   
   

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