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Fazendinha do Valizi - Memórias de José Valizi

 

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O lagarto e o fogaréu na roça

por José Valizi (publicado em 18/10/2016)

 

Crédito: www.freeimages.com

O lagarto e o fogaréu na roça

 

Antigamente, para preparar o solo para a plantação, o mato era derrubado com machado e foice, e depois de alguns meses, quando já estava seco, era queimado. E como a queimada produzia um fogo de muita expressão, com altas labaredas, os fazendeiros reuniam todos os empregados de suas fazendas para controlarem o fogo, impedindo que ele pulasse para as fazendas vizinhas.

 

Certa vez, um fazendeiro, que tinha um capinzal que estava sendo reservado para tirar semente, soube que o seu vizinho iria fazer uma queimada, e ficou preocupado que o fogo pudesse pular para o seu capinzal. Então, ofereceu seus empregados para ajudar o vizinho a controlar a queimada.

 

Chegado o dia marcado para a queimada, o vizinho botou fogo no mato seco, e todo o pessoal que foi ajudar ficou na estrada que dividia as duas fazendas, vigiando o fogo, e prontos para apagarem, caso o fogo pulasse para o capinzal da outra fazenda.

 

Tudo corria bem quando, lá no meio do capinzal do fazendeiro, distante uns 100 metros da estrada, de uma hora para outra surgiu um fogaréu. Ao ver o seu capinzal começando a pegar fogo, o fazendeiro ficou desesperado e começou a gritar. Todos os que estavam ajudando correram para lá, na tentativa de conterem as chamas; mas infelizmente elas se alastraram tão rápido que em poucos instantes o capinzal foi todinho consumido pelo fogo. Muito irritado com o ocorrido, o fazendeiro começou a dizer que era impossível o fogo ter saltado para o lado dele porque tinha muita gente vigiando e controlando a queimada. E que provavelmente algum desafeto dele deve ter se aproveitado da ocasião e, sem que ele visse, botado fogo no capinzal, de propósito. E ainda disse: “Darei uma boa gratificação a quem me apontar o autor desse malfeito!”.

 

Ouvindo aquilo, eis que surge do meio do pessoal o tal de João Lemes, dizendo: “Eu vi quem botou fogo”. O fazendeiro disse-lhe, nervoso: “Então fale logo!”. O João Lemes prosseguiu: “Olha, eu vi quando um lagarto desses verdes, só que ele estava vermelhinho de fogo, saiu correndo do meio da queimada do mato e cruzou a estrada em direção ao seu capinzal. Só que o danado do bicho passou rápido, mas tão rápido, que não deu tempo de pegar fogo na beirada do capinzal, perto da estrada. Lá no meio do seu capinzal, onde o fogaréu começou, deve ter sido onde o bicho cansou de tanto correr e morreu, e o fogo se alastrou”.

 

Ao ouvir a resposta do João Lemes, o fazendeiro (que estava muito nervoso com o ocorrido) partiu para a agressão, querendo bater no João Lemes. Mas o pessoal em volta conteve o fazendeiro, acalmando-o e explicando-lhe que o João Lemes não falou aquilo para caçoar; é que ele tinha mesmo o costume de contar umas mentiras engraçadas.

 

Essa história aconteceu de verdade. E o meu amigo Hermes da Silva Porto (o Vavá), estava lá e viu tudo acontecer...

   
   

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