José Valizi

 

Fazendinha do Valizi - Memórias de José Valizi

 

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Jogo de futebol dentro da rádio

por José Valizi (publicado em 25/02/2016)

 

Ilustração: Júnior Valizi (desenho) e Miguel Valizi (pintura)

Jogo de futebol dentro da rádio (Ilustração: desenho de Júnior Valizi, e pintura de Miguel Valizi)

Desde quando eu era molecote já gostava de futebol. Além de jogar nos times das fazendas onde morei, eu também auxiliava o meu saudoso pai (Júlio Valisi) na escalação do time. E modéstia à parte, eu era bom de bola. Tanto que às vezes os times das fazendas vizinhas pediam ao meu pai para me emprestar a eles, quando precisavam disputar alguma partida contra outra fazenda, que não fosse a nossa, é claro. Eu gostava tanto de bola, e ainda gosto, que qualquer coisa que quicasse à minha frente eu já mandava de peito de pé para alguma direção, como se estivesse marcando um gol...

Certa vez, eu e o meu colega de emissora Eurípedes Pereira (mais conhecido por “Baixinho”) demos um pulinho até a Rádio Cultura de Ituverava, onde trabalhávamos. Eu era apresentador do programa “Fazendinha do Valizi”, enquanto o Baixinho era apresentador de um programa de esportes. Chegamos lá por volta das duas horas da tarde; porém, não era o nosso horário de trabalho. Naquele momento estavam lá, trabalhando, o locutor Orlando de Oliveira e o operador de som Ernani (não me recordo o sobrenome deste; mas lembro-me que o pai dele era carteiro). Para chegar até as salas onde funcionavam o estúdio e a técnica de som, a gente tinha que atravessar uma sala muito grande. Logo imaginei que ali fosse um campo de futebol e perguntei aos meus colegas: “Vamos fazer um racha aqui?”. Um deles respondeu: “Mas e a bola?”. Um outro disse: “A gente faz uma com maço de cigarro vazio”. E assim enchemos de papel um maço de cigarro vazio, pregamos umas fitas colantes e fizemos uma bolinha. Combinamos que a dupla que perdesse o jogo pagaria um refrigerante à dupla vencedora. Os gols eram duas portas; uma delas dava acesso à discoteca (que era o lado que eu e o Baixinho iríamos defender), e a outra porta, que dava acesso à técnica de som e ao estúdio, era o gol a ser defendido pelos nossos adversários. Assim, deixaram um disco tocando na vitrola e iniciamos a partida; bola pra cá, bola pra lá; um time fazia um gol, o outro empatava; canelada pra cá, canelada pra lá; o clima começou a esquentar e começamos a discutir em voz alta.

Naquela época os discos já eram do tipo grande, com seis músicas de cada lado; eram os chamados “LPs”. Quando as músicas de um lado terminavam de serem tocadas, tinha-se que virar o disco para ouvir as músicas do outro lado. Estávamos tão entretidos com aquela emocionante partida de futebol, que nenhum de nós percebeu que o disco tinha chegado ao fim, e que a agulha da vitrola começou a raspar sobre o rótulo dele, fazendo aquele conhecido barulho: roc, roc, roc...

Naquela ocasião, o gerente da emissora era o Shimizu, que tinha por hábito frequentar o Café Mocambo, de propriedade do saudoso Manoel Lopes Corrêa Filho, mais conhecido por “Manezinho do Mocambo”. Situado na avenida Dr. Soares de Oliveira, o estabelecimento era muito movimentado e bastante frequentado pelo povão (principalmente os comerciantes e trabalhadores do comércio central). Chegando lá, o Shimizu pediu um cafezinho para tomar. O aparelho de rádio do bar estava sintonizado na Rádio Cultura, e alguns dos clientes presentes no bar começaram a tirar sarro do Shimizu, dizendo-lhe: “Escuta só, Shimizu, como está a sua rádio lá”. Ouvindo aquele barulho “roc, roc, roc”, o Shimizu nem terminou de tomar o seu cafezinho; saiu em disparada rumo à emissora, que ficava a duas quadras de lá, num sobrado da rua Cel. José Nunes da Silva (local da segunda sede da emissora), enquanto ia imaginando o que poderia estar acontecendo, pois naquela hora havia programa ao vivo; o locutor e o operador de som tinham que estar lá; não fazia sentido o disco ter terminado de tocar e ninguém ter percebido; alguma coisa séria provavelmente tinha acontecido.

Chegando à emissora, o Shimizu adentrou pelo lado em que eu e o Baixinho estávamos defendendo; e por estarmos de costas para ele, não o vimos chegar. Do lado oposto, defendendo a outra porta, estavam os nossos adversários, que viram o Shimizu chegando. Então, repentinamente, o Orlando e o Ernani pararam de jogar e saíram ligeiros em direção ao estúdio. Sem entendermos o motivo, olhamos para trás e percebemos que era o Shimizu... E ele foi logo dizendo: “Orlando e Ernani, três dias de suspensão!”. Aí eu pensei: “Se eles levaram três dias, quantos nós iremos levar?”. O Shimizu virou-se para o nosso lado e perguntou em tom de censura: “Zé Valizi e Baixinho, o que vocês estão fazendo aqui, fora do horário de trabalho de vocês?”. O Baixinho, que era do tipo gozador e tinha um bom papo, respondeu: “Ah, Shimizu... Aqui a gente ganha tão pouco que de vez em quando a gente precisa se divertir, né?”.

Apesar das pessoas não acreditarem muito em algumas coisas que eu conto, isso aconteceu de verdade, e foi um episódio tão engraçado para nós que eu guardo em minha lembrança até hoje.

 

Vídeo relacionado

Jogo de futebol na rádio

Conheça esta história bem-humorada em que Zé Valizi e seus colegas

de emissora disputaram um racha de bola dentro da rádio onde trabalhavam.

   
   

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