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Fazendinha do Valizi - Memórias de José Valizi

 

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Zé Valizi e a barata

por José Valizi (publicado em 11/06/2015)

 

Zé Valizi e a barata

Eu até que me considero uma pessoa corajosa, pois não tenho medo de onça e nem de jacaré, cobra, escorpião e outros bichos mais. Nem mesmo de assombração. Porém, existe um bicho muito perigoso, terrivelmente assustador, capaz de me fazer entrar em pânico, só de ver. Esse monstro é a barata. Isso mesmo: a barata! Se eu tiver que atravessar um corredor, e no caminho houver uma barata, eu não consigo passar. Em outra ocasião contarei o porquê desse medo. Por ora, basta você saber que, para mim, a barata é o bicho mais assustador do mundo.

 

Por mais limpo e asseado que seja um local, de vez em quando aparece uma danada barata para me azucrinar. Parece que elas me perseguem. Pois bem. Certa vez cheguei cedinho à Rádio Cultura de Ituverava, onde eu apresentava o programa Fazendinha do Valizi. Fui direto para o estúdio, entrei, acendi a lâmpada e vi no chão, bem à minha frente, uma barata, daquelas bem grande! Ameacei sair correndo, mas ela correu primeiro, para o outro canto do estúdio. Já estava em cima da hora para o programa começar, e não dava tempo de iniciar uma caçada à barata; então tentei fazer de conta que ela não estava lá.

 

Bem, sentei-me à mesa e comecei o programa. Depois de alguns minutos, enquanto a vitrola tocava uma música, senti algo roçando a minha canela. Pensei: "Será que é uma lagartixa ou, pior que isso, uma barata?". Nisso, bati a sola do pé no chão para me livrar do importuno desconhecido. Em vez do bicho cair, ele subiu pela minha perna, por dentro da calça. Então imaginei: "É barata!". E rapidamente bati novamente com o pé no chão, mas o bicho subiu mais um pouco, indo até o joelho. Fiquei de pé, segurei a perna da calça e dei uma sacudida forte, para o bicho cair, mas ele correu perna acima, indo parar na altura da minha coxa. Nesse momento, eu comecei a sapatear e a gritar. O rapaz que fazia a técnica de som viu-me, através do vidro (para quem não sabe, o estúdio ficava numa sala e a técnica de som ficava em outra; e na parede havia um vidro que possibilitava o contato visual entre o locutor e o técnico de som), pulando e gritando, e veio correndo me acudir: "O que foi, seu Valizi? O senhor está passando mal? O que está acontecendo?". Eu comecei a gritar: "A barata, a barata!". E rapidamente desabotoei o cinto, a calça caiu até os pés, e a danada da barata entrou por debaixo da minha camisa e, quanto mais eu gritava e pulava, mais ela ia subindo pela minha barriga, fazendo cócegas, indo em direção ao pescoço. Nesse instante, saí correndo em direção ao banheiro, só de cueca, porque a calça já tinha ficado lá no chão do estúdio, e gritando "a barata, a barata!". Lá no banheiro, quando a danada já tinha chegado ao meu pescoço e estava saindo pelo colarinho, dei uma chacoalhada na camisa e ela caiu num canto qualquer. Ufa! Que sufoco...

 

Só que o pior ainda estava por acontecer... Voltei para o estúdio, vesti as calças, abotoei a camisa, olhei em volta para ver se não havia mais nenhuma barata, sentei-me à mesa e, assim que a música terminou de tocar, prossegui com o programa, chegando o momento de fazer os comerciais. Naquela época, a maioria dos meus anunciantes preferia que as propagandas deles fossem lidas ao vivo, em vez de gravadas, o que me permitia improvisar e fazer brincadeiras.

 

Um desses anunciantes era um conceituado restaurante da cidade, que no domingo seguinte apresentaria novidades em seu cardápio, com destaque para o delicioso prato de batata dourada recheada. Porém, aquela abominável barata, que covardemente havia me atacado minutos antes, não saía do meu pensamento. Foi então que, ao anunciar a novidade do restaurante, eu disse: "Amigos ouvintes, o restaurante (citei o nome) informa aos clientes e amigos que no próximo domingo estará com novidades em seu cardápio, servindo um delicioso prato: barata dourada recheada!". Quando eu percebi que tinha falado barata, em vez de batata, logo pensei: "Meus Deus! Se o dono do restaurante ouviu isso, vai cancelar a propaganda. E se o gerente da rádio ouviu, vai me dar uma punição". Mas esse pensamento foi numa fração de segundo, e imediatamente eu comecei a falar com bastante ênfase: "Gente, batata dourada é uma delícia; eu já experimentei, é muito bom. Batata dourada, no restaurante tal, neste domingo. Leve toda a sua família para saborear a batata dourada recheada; batata dourada; eu recomendo; batata dourada!". E assim, falei seguidamente a palavra batata várias vezes, e concluí o seguinte: "Se algum ouvinte entendeu eu falar barata, e depois eu repeti várias vezes batata, ele vai ficar em dúvida e achar que ele entendeu errado". Mas de fato, o que eu havia dito mesmo na primeira vez foi barata dourada. Pois é... O que o medo não faz com a gente, não é verdade?

   
   

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